20 fevereiro, 2008




"I love you, but I don't like you all the time"

Esse guri sabe das coisas, dizaê!

18 fevereiro, 2008

Viagem

Enquanto a senhora tagarela da poltrona ao lado falava incessantemente sobre viagens, comida e mais outras coisas impossíveis de serem listadas e na tv 007 dublado e legendado distraía a quase todos por algumas horas de uma longa viagem estrada afora, a única coisa que conseguia prender a minha atenção era o céu semi-nublado que me espiava lá de fora.

Não pela noite em si, muito menos pela ilusão de que as árvores passavam apressadas por mim ou pelas poucas estrelas que pareciam fugir das nuvens carregadas que enfeitavam o céu. Talvez pela vontade de não estar ali, chegar ao meu destino, não ir a lugar algum.

Não saber o que me espera é um tanto assustador. Isso me fez pensar em tudo que já se passou, no que aconteceu, nas pessoas que conheci, nas que gostaria de ter conhecido e no que eu sempre quis que se tornasse verdade. Concluí que chegou o momento de “virar a página” e começar um outro capítulo dessa tão complicada novela que é a minha vida.

De repente todas aquelas risadas, saídas, filmes, amores, desamores, conversas ao telefone, partidas de jogos, bebedeiras na praia grande, garrafas sendo quebradas na praia, caminhadas pela lagoa, papos na ponte, aziação no Veneto, chororô, jogos de azar na praça [...], agora fazem parte do passado.

E eu não faço a menor idéia do que me espera, apesar de todos os planos e metas já impostos pela minha ansiedade doentia. Mas mesmo com um medo imenso do que pode me acontecer e com uma saudade que dói desde já de tudo que eu preciso deixar pra trás, sinto-me aliviada por todas essas lembranças. Vivi todas as coisas da maneira mais justa, conheci as pessoas certas e já sei quem quero ao meu lado por todo o resto da trama - vocês, amigos.

De parada em parada, a cada placa de saudação ou despedida, percebia que estava ficando cada vez mais distante dessa vida que conheço, de tudo que eu penso saber sobre mim. E a única coisa que me angustiava era o que não foi vivido. Tudo que não foi dito, sentido, cantado, chorado. Essas coisas que pra sempre ficarão no imaginário, que dificilmente terei coragem de assumir, por simplesmente achar que não há mais tempo. Mas se eu soubesse de um segundo extra sequer, antes mesmo de pegar a bagagem, tocar a campainha, essas coisas todas, eu queria ao menos dizer que.

Melhor dormir, esperar a vida mostrar o que realmente está por vir.


"I´m waiting
I wanted to stay
I wanted to play,
I wanted to love you
I'm only this far
And only tomorrow leads my way"


DMB - #41


08 fevereiro, 2008

Tempos que não aparecia, não?!


Esse blog aqui praticamente largado às traças, mas eu tenho boas justificativas, pra quem se importa com isso. A constante preguiça de organizar os super acontecimentos bombásticos da minha vida e fazer um texto bem resumido aqui é talvez a principal delas. Tá, acontecimentos bombásticos é claramente um exagero da minha parte, mas a falta de coragem é a mais pura verdade. Fora isso, uma total falta de inspiração pra criar aqueles textos hipotéticos que falam da vida, pensamentos, viagens, e blá e coisa e tal. Enfim, ano novo, vida nova e toda essa baboseira, portanto letras e rascunhos em 2008 terá posts atuais, fotos, vídeos e lalalá, prometo!

Pra começar, não vou fazer lista de metas pro ano que começou a quase dois meses, porque sempre me frustro e eu não quero sofrimento daqui a 12 meses, ok? Vamos logo às devidas atualizações:

Há duas semanas, soube que tinha conseguido um super estágio supervisionado e remunerado em Imperatriz-MA. Pra quem não sabe, é onde meus pais moram e o lugar onde provavelmente irei trabalhar por uns meses até conseguir dinheiro o suficiente pra me sustentar. O lado ruim disso?! Morar com mãe-irmã-padrasto de novo, depois de dois anos me virando sozinha. Sem contar que Imperatriz talvez seja a cidade mais quente de toda a América Latina, logo em seguida no ranking fica Teresina no Piauí, segundo conclusões da pessoa que vos fala.

Quando soube do tal estágio, peguei minhas coisas, me despedi das pessoas, chorei feito uma louca, as pessoas choraram também (porque claro, eu sou um amor) e vim pra minha querida Imperatriz de vez. Maaas, como tudo na minha vida é “de rosca”, mil dificuldades foram aparecendo, no final das contas só descobri que a UFMA é escrota de tão burocrática e por isso vou ter que voltar com mil malas e afins pra São Luis.

Tá, né?! Com praticamente um ano de estágio serei mais um profissional desempregado em busca de um mestrado ou coisa do tipo. Enquanto isso voltarei à minha vida de antes, comendo miojo, dormindo pouco e saindo todo santo dia, que chato. Já tinha até me acostumado com a vida em Impera City. Sem muitos lugares pra ir, saindo com as poucas e completamente loucas pessoas que conheço aqui, levando esporro por chegar bêbada e/ou tarde, bebendo água até quebrar o bucho, essas coisas. Mas, por enquanto isso tudo vai ter que ficar pra depois.

De resto, acho que só. Em breve, assim que confirmar uns pequenos detalhes conto pra vocês a melhor parte desse começo de ano. Quanto à isso só posso adiantar que vai ser a semana mais louca e esperada da minha vida.

É isso.

21 janeiro, 2008

e foi cuidar do que restava,

que é sempre o que se deve fazer.


Caio F.

28 novembro, 2007

There's no memory left. Come back and make up a good-bye, at least.
Let's pretend we had one.
Bye, Joel.
I love you.

-Meet me in Montauk.

05 outubro, 2007



[...]

In my hands, a legacy of memories.
I can hear you say my name. I can almost see your smile, feel the warmth of your embrace.
But there is nothing but silence now, around the one I loved.
Is this our farewell?

Rest your head and go to sleep.
'Cause my child,
this is not our farewell.

[...]




Our Farewell - Within Temptation

07 setembro, 2007

Ela sorri.

Ela sorri. Não de alegria, apenas sorri. Depois das contas pagas, das malas prontas e do adeus imaginado. Fazer o que além de sorrir?

Sabe tudo que deixou por fazer e não se importa. Prefere acreditar que nada pode ser resolvido, apesar das saídas já pré-determinadas. Planos e mais planos empilhados, deixados pra depois – sua especialidade. Já não se perde em pensamentos a respeito de nada. Um semi-alivio, uma semi-saída: a fuga.

Culpa? Que culpa? Nunca. Talvez depois de uns goles de vinho barato, pense a respeito. Mas há sempre o dia seguinte, o porre. Uma aspirina, um bom caldo de ovos quente. Hão de curar.

Amigos, amigos. Esses estão por todos os lugares e em lugar algum. Pouco importa, tudo ficou pra trás. Talvez alguém perceba que as cortinas estão fechadas, que falta aquela que diz saber tudo. Quem sabe um ou dois finjam se importar e a procurem. Bobagem, pura bobagem. Ninguém esta muito preocupado com isso. Eu não estou.

O sorriso se desfaz num instante. Cadê o táxi, aquele maldito táxi que nunca chega? E as plantas, quem vai cuidar delas? Talvez deva ficar. Quem liga pra plantas inúteis?

Buzina. Táxi idiota, finalmente chegou. A chave? Ela sempre esquece das chaves em qualquer lugar. Da última vez, encontrei-a no refrigerador. Sorri sozinha enquanto anda pelo apartamento.

Chaves, passagem, cigarros, bolsa, mala. Aeroporto, por favor. O motorista gordo de mãos pequenas nada diz, apenas segue. Ela percebe pela janela em silêncio que tudo continua exatamente igual. Como nada muda depois da minha decisão? Tanto tempo, tantas noites em claro, tantos diálogos inúteis e nada muda? Do lado de fora pessoas e mais pessoas caminham, cantam, sofrem, choram, amam. E ela ali, estática. Vendo tudo de camarote. Vendo nada.

O senhor tem troco pra cinqüenta? Obrigada. Pessoas, mais pessoas. Será que devo mesmo ir? Talvez ele apareça com aquela camisa, aquela camisa colorida ridícula. Talvez ele apareça com aquela camisa colorida ridícula e com aquelas desculpas ridículas e com aquele perfume e com aqueles elogios ridículos e com aquele jeito único de dizer que tudo vai ficar bem. Ridículo.

Poltrona 27, poltrona 27, poltrona 27. Janela, finalmente. Ainda bem que é noite, não preciso conversar. Depois de tanto tempo, sabe fingir o sono como ninguém. Aeroporto, mais pessoas, outro táxi. Será que devo continuar com essa loucura? Agora está feito. Mas e as plantas? Aquela tulipa branca, tão linda que é! Só poderia ser roubada, por isso vingou. Quem liga pra tulipas brancas, lindas e roubadas?

A cidade parecia a mesma, mas estava diferente. Algo nos prédios, nas pinturas, no calçamento, nas pessoas. Você é turista? Nesse quarteirão tem uns bares bons, coisa de bacana. É aqui, obrigada. Pra que dar explicações a um taxista desconhecido? Nem sei bem de onde sou, apenas pensa.

Da antiga casa quase nada mudou. O portão ainda faz aquele barulho doído, como se fosse rasgar. A campainha funcionou por pouquíssimo tempo, ninguém sente muita falta. Com esse portão! Quem precisa de campainha? Sorri outra vez.

Alguém abre a porta. Abraço, lágrimas, abraço, surpresa. Posso ficar por um tempo? Café, risos, cigarros, fumaça, cinzas, mais café. Sentia-se protegida. Em vinte e cinco anos, tudo continua aparentemente igual. O mesmo som de risada, o cigarro queimando no dedo e alguns poucos tragos. Nos olhos conseguia se reconhecer, as vezes. Não pelo castanho-brilhante-tímido, por algo mais.

Ele fala que o eletricista queimou a sua TV, que já não pode mais ver o jogo de domingo e que se contenta em ouvir pelo rádio. Fala que as baratas estão invadindo a casa e que não há nada que se possa fazer. Ri dos guris, das suas músicas bobas, só falam de revolução e algo assim.
Ela ri, apenas ri.

Não se concentra em palavra alguma, e sim nos movimentos. Nos dedos, nas rugas que não conhecia, naquela mancha na ponta do nariz. A voz, aquela voz. Vinte e cinco anos e aqui estou. A mesma voz, o mesmo sorriso, a mesma mancha.

Seu quarto esta trancado, tem muito mofo por lá. O sofá é uma beleza, amanhã a gente faz uma faxina. Fala depois de um longo trago, com um quê de preocupação. Longo abraço, silêncio. Ele sabe que não deve perguntar. Amanhã conto-te tudo, com detalhes. Não se assuste com possíveis gritos, esses vizinhos são loucos. Boa noite, minha pequena.

Beijo na testa, travesseiro macio, vizinhos loucos, “minha pequena”. Era tudo o que eu queria, sim. Ao menos por hoje.

E mais uma vez sorri. De alegria? Certamente. Vinte e cinco anos depois, ainda sou pequena. Longe das cortinas fechadas, da tulipa roubada, da camisa ridícula, daquela que diz saber tudo. É pequena, sou pequena. Talvez cresça, vou crescer. Não agora.

Adormece.

09 agosto, 2007

Life is about to go on in a minute.

[...]

Life never goes on - those are empty words.


Alguém aí sabe o que é saudade?

01 agosto, 2007

Eu poderia ficar ali parado, olhando a mancha de café
espalhar-se lenta sobre o poema, lembrando tudo que não queria lembrar e
assim,
parado pra sempre no meio do apartamento, enquanto vidas alheias
acontecem além
das janelas, fora e longe de mim, sentisse apenas mágoa,
saudade e esse tipo de
espanto amargo em que ninguém dá jeito, eu
poderia.
Mas repeti que era tarde,
que eu tinha um dia de cão, que não
tinha tempo e
me desculpe,
você sabe,
esta cidade,
esta vida,
esta manhã.
Onde Andará Dulce Veiga?
Caio F.

09 junho, 2007

Tirando a poeira.

Em noites vazias, nada como um cigarro como única testemunha de divagações sobre a vida e coisa e tal. Um acerto de contas, o momento do reencontro consigo mesmo. Até que ponto o que se quer, o que se faz é algo puramente seu ou vestígios do que se quer que os demais saibam e esperam de você?

Talvez o grande desafio da vida seja exatamente esse: o de superar todas as expectativas alheias e aceitar a si mesmo. Com todos os defeitos, desejos recalcados, medos, falhas - exatamente como se é. Ou mais ainda, tentar descobrir o que te faz único dentre os outros bilhões de seres humanos da face da terra.

Enquanto observo a fumaça atravessar as grades da janela, penso no que me é peculiar, algo que não tenha nenhuma ligação com o que está do lado de fora. Longe das expectativas, pré-conceitos e idealizações de uma Flávia Novais, estudante de vinte e tantos anos, cabelos, óculos, timidez e por aí vai. O que só eu saiba distinguir, ou deixe escapar apenas aos que estão muito, muito perto.

Medo. Esse talvez seja o meu maior defeito. No momento, o que mais me preocupa. Medo de escolhas, de falsas certezas, de verdades escondidas, do desconhecido. A felicidade me assusta. Como vou saber que estou plenamente satisfeita? Nunca sei o que busco e quando encontro uma direção escolho o caminho oposto. Minhas conclusões sempre são ambíguas, no fim das contas só me restam dúvidas.

Fujo de responsabilidades, apegos, abrigo. Terminar um projeto, um trabalho, um texto, o que seja, é uma tarefa extremamente complicada pra mim. Tão fácil desistir, deixar pra depois, um dia quem sabe tudo se resolve por si só. Os erros são sempre alheios, Fulano não facilitou, Sicrano não se importava, Beltrano era um escroto. Nunca faço o suficiente. É uma tortura imensa saber que meu esforço foi em vão e que de repente tudo se perdeu. Desisto de tudo com uma facilidade inacreditável e me culpo por cada coisinha que ficou pra trás incompleta. Há dias em que a única coisa que gostaria de fazer é mandar tudo pra casa do caralho, deixar uns e outros sentimentos trancados no guarda-roupa e esquecer essa minha eterna preocupaçãozinha ridícula de ser amigável e bla. Não que me orgulhe dos meus defeitos, mas sei que todo mundo tem um quê de diabo. Somos todos humanos, não é mesmo?

Pensar em qualidades próprias é mais complicado ainda. Parece uma auto promoção, como quem diz "pode se aproximar, sou uma pessoa legal!". Mas se existe uma da qual posso dizer que me orgulho, é a de admirar as coisas mais simples. Nada de luxo, o exagero me sufoca. Não gosto de demonstrações públicas de afeto, cartazes, carros de som e toda essa baboseira. Um sorriso, um olhar, um abraço valem mais. Conforto, segurança e cumplicidade me bastam. O que pode ser um defeito também, dependendo do ponto de vista.
Poderia continuar essa auto-análise fajuta fruto de uma noite sem muitas expectativas, porém penso que algumas coisas não precisam ser ditas, já que são unicamente minhas. Daí vocês se perguntam qual a intenção desse texto escroto, afinal. E eu respondo: não sei. Ele não tem uma finalidade em si, se trata apenas de uma tentativa de compreensão.

Talvez um desabafo. Uma demonstração pública do meu cansaço e por que não, do pavor ao descobrir que no fim estamos sós. Acima de todas as faces que assumimos frente aos demais, a essência esta lá, crua e não há como fugir. Somos o que somos e ponto. Fodam-se as idealizações, os anseios, os personagens.

Honestidade consigo mesmo, sem pudores. Acho que é isso, o que realmente vale a pena. O resto é só improviso, encenação.

28 maio, 2007


"Porque você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo."

"Eles", O ovo apunhalado
Caio Fernando Abreu.

10 maio, 2007


E o proprio sentido, cadê?!

09 maio, 2007

SILÊNCIO AMOROSO 2

Preciso do teu silêncio cúmplice
sobre minhas falhas.
Não fale.
Um sopro, a menor vogal
pode me desamparar.
E se eu abrir a boca
minha alma vai rachar.

O silêncio, aprendo,
pode construir.
É modo denso/tenso
- de coexistir.
Calar, às vezes,
é fina forma de amar.

Affonso Romano de Sant'Anna

02 abril, 2007

"Procuro imaginar aquele homem escanhoado e em mangas de camisa, desconto a deformação do olho mágico, e é sempre alguém conhecido mas muito difícil de reconhecer. E o rosto do sujeito assim frontal e estático embaralha ainda mais o meu julgamento. Não é bem um rosto, é mais a identidade de um rosto, que difere do rosto verdadeiro quanto mais você conhece a pessoa. Aquela imobilidade é o seu melhor disfarce, para mim.
Recuo cautelosamente, andando no apartamento como dentro d’água. Escorregarei de volta para a cama, e creio que o sujeito acabará desistindo, convencido de que não há ninguém em casa. Mas nem bem ultrapasso a divisória imaginária do meu quarto-e-sala, e a campainha toca outra vez. Não posso dormir com a imagem daquele homem fixo na minha porta. Volto ao olho mágico. Hei de surpreender uma imprudência dele, uma impaciência que o denuncie, que me permita ligar o gesto à pessoa. Mas enquanto estou ali ele não toca a campainha, não olha o relógio, não acende um cigarro, não tira o olho do olho mágico. Agora me parece claro que ele está me vendo o tempo todo. Através do olho mágico ao contrário, me vê como se eu fosse um homem côncavo. Assim ele me viu chegar, grudar o olho no buraco e tentar decifra-lo, me viu fugir em câmera lenta, os movimentos largos, me viu voltar com a fisionomia contraída e ver que ele me vê e me conhece melhor do que eu a ele. Porque eu sei apenas que ele não é o que pretende aparentar, um vendedor, um administrador, um distraído. E ele me conhece o suficiente para saber que eu poderia até receber um estranho, mas nunca abriria a porta para alguém que de fato quisesse entrar. "
[Estorvo - Chico Buarque]

13 fevereiro, 2007

Saindo pela tangente, deixou cair um folheto; “Siga sempre em frente”. Volta e espera o dia clarear. Quem sabe ao amanhecer enfim perceba que ouvir a porta bater às costas não seja a melhor alternativa?

Conta os passos ao caminhar. Calçadas de concreto me distraem, pensa. Dois passos antes da divisória, nada mais. Quando menos espera, chegou ao seu destino.

Nunca sabe o que fazer com os fones de ouvido. Sente-se bem com eles, alheia ao mundo. Mas não quer se manter assim tão distante, não sempre.

Pessoas são estranhas, muito estranhas, disso sabe muito bem. Não sou um exemplo de normalidade. Tem um jeito peculiar que demonstrar afeto. Acha desnecessário muito contato e acredita que quem muito fala não o sente. Explode e silencia, mais nada.

Sete, quinze, trinta dias. Tudo passa tão rápido, não? Tudo passa, vai passar.

Corre em direção ao ônibus. A rotina não espera, isso é revoltante. O dia já amanheceu, pra que fugir?

Mais um plano deixado pra depois, assim como os livros na estante e os filmes jogados pelo chão do quarto.

05 fevereiro, 2007

Esses dias não foram nada fáceis. Como nunca na vida quis outra vez um abraço, um sorriso, um olhar. Não é nada confortante saber que isso tudo vai ficar apenas na memória.

Não penso na morte como um final de linha, muito menos nesse caso. Alguém tão doce e puro não poderia simplesmente deixar de existir assim, sem nenhuma razão ou justificativa. Algo nisso tudo deve fazer sentido, só acho que não conseguirei entender - não agora.

Confortante é saber que todo carinho e admiração sempre foi recíproco. Perdi a presença física, as piadas, o aconchego daquela camisa de malha, o som da risada entre outras infinitas coisas que só quem conviveu bastante sabe. Mas sei que obtive um exemplo vivo de confiança, carinho, bondade e respeito.

Se eu tivesse mais uma chance? Agradeceria. Pela honra de ter conquistado uma amizade assim tão especial. Passou rápido demais, ao menos pra mim. Porém foi o bastante pra que enfim tivesse certeza de que ainda existem pessoas com algo bom, que só tem uma missão na vida: que é a de nos mostrar que nem tudo está perdido.

Não poderia deixar que esse momento passasse em branco, principalmente se tratando dele. Eu só precisava de um tempo pra conseguir organizar as idéias e principalmente, não sofrer ao dizer isso tudo.

Saudades eternas sei que sentirei, mas posso garantir que em algum plano ele esta bem melhor do que qualquer um, afinal ele merece. E mais ainda, sei que ele não quer ver quem ele realmente cativava sofrendo pelos cantos. É por isso que decidi cessar as lágrimas e deixar com que o vazio que sinto seja preenchido com nossos melhores momentos.

A vida continua e isso não podemos mudar. Só nos resta encontrar força suficiente pra superar a falta que ele nos fará.

Ele merecia um texto cheio de rimas e paisagens. Mas isso foi tudo o que eu consegui fazer como forma de homenagem ao meu amado amigo, Hugo. É simples, porém verdadeiro.

Força amigos. Estamos sentindo a mesma dor e juntos conseguiremos supera-la.

E é isso..

11 janeiro, 2007

Hoje acordei com vontade de dizer a verdade. Nada sobre algum assunto específico, talvez alguém entenda uma coisa ou outra, ou quem sabe tudo pareça sem sentido. O importante é que eu saiba exatamente o que digo e, principalmente que seja verdade – ao menos pra mim.

Certo. Decidi dizer tudo o que penso, mas não sei por onde começar. Deve ser porque eu sempre estou com alguma coisa em mente, às vezes duas ou mais ao mesmo tempo e claro, sempre em conflito. Agora por exemplo estou pensando na minha prova de francês de amanhã, na minha completa falta de vontade de estudar, no tempo nublado e na ausência de guarda-chuva. Ok, mesmo que eu tivesse um, não o usaria hoje. Nem nunca. Outro dia quase compro, era laranja! Coisa linda de se ver. Mas mesmo assim, não usaria.

Rótulos são completamente desnecessários. Fulano é assim, Beltrano é assado. Fulano nunca faria isso, Beltrano é um desequilibrado. Beltrano é amigo, Fulano pede dinheiro emprestado. Eu não queria que rimasse, não que não goste de rimas, apenas acho que não sei lidar bem com elas. Estaria eu querendo me rotular? Não, creio que não.

Me sinto completamente capaz de decepcionar a qualquer pessoa. Assim como posso magoar, mentir, ignorar, cuspir, pisar [...] Acho isso completamente válido e por que não? Sem mais falso altruísmo, afinal também preciso de ajuda às vezes. Apenas não consigo fazer escândalo por um pouco de atenção. Transpareço exatamente o que sinto, é só ter sensibilidade oras! Não estou precisando de nada agora, me sinto muito bem obrigada. Só falei por falar.

Gosto de brincar de escrever, apesar de ter consciência que não poderia viver disso. Entre saber usar bem as palavras e tirar seu sustento delas há uma grande diferença. Ler, ler, ler - nunca é demais. O que me sugerem?

Me falta paciência. Na fila do ônibus, em casa, durante aquela aula de Fundamentos Políticos, na fila do R.U. Isso definitivamente muda meu humor. Será que encontro em algum supermercado um pouco dela enlatada?

Falando em enlatados, alguém sabe o horário de Seinfeld? Sim, eu gosto. Assim como de muitos outros que não acrescentam nada à minha super agitada vida. Tá, poderia ser um pouco mais, mas preciso de tempo pra tv. Alias, por que “enlatados”? Perguntarei pro Google agora mesmo.

Vi um documentário outro dia sobre o Will Eisner e cheguei à conclusão de que deveria saber desenhar. Queria ser cartunista. Não gosto do Calvin e Hobbes colorido, pronto disse. E não quero mais falar sobre isso. Eu deveria ler algo de útil e parar de escrever aqui, não?
Estudar? Juro que mais tarde começo. Eu tenho inveja de quem consegue ler em coletivos. Fico enjoada nas primeiras linhas, um fracasso só.

Quantas interrogações! Parei e só volto com post novo assim que tiver inspiração. Talvez com um texto melhor, mas é só uma promessa boba e nem pensei muito ao dizer isso.

E antes que eu me esqueça: feliz ano novo, bom carnaval, feliz páscoa e todo aquele blábláblá de dias festivos.
Já sinto saudades da Cau.

É eu sei, tinha acabado o post.
Acabou.

26 dezembro, 2006

"Falta tanta coisa na minha janela
Como uma praia
Falta tanta coisa na memória
Como o rosto dela
Falta tanto tempo no relógio
Quanto uma semana
Sobra tanta falta de paciência
Que me desespero
Sobram tantas meias-verdades
Que guardo pra mim mesmo
Sobram tantos medos
Que nem me protejo mais
Sobra tanto espaço
Dentro do abraço
Falta tanta coisa pra dizer
Que nunca consigo
[...]
Vai saber,
Se o que me deu , quem sabe?
Vai saber,
Quem souber me salva
Vai saber,
O que me deu, quem sabe?
Vai saber,
Quem souber me salva"
Vai saber...
[O Teatro Mágico - Sobra tanta falta]

16 dezembro, 2006

Sono? Há tempos não sei o que é dormir. Passo noites em claro perdida em pensamentos, idéias e anseios. Nada de concreto. Talvez algo nisso tudo seja. Talvez não.

Desacredito do mal supremo e por vezes do bem. Na realidade, acreditar demais seja o meu problema. “ao pé da letra” nem sempre faz sentido. Literalmente? Há quem não saiba o real significado dessa expressão. Eu sei. Sei?

Costumam reclamar do meu silêncio. Suponho que ele nem exista de fato. Basta se concentrar um pouco mais e enfim perceber que enquanto calo, reclamo-grito-canto.

Canções. Essas falam por mim. Muitas são pensamentos meus organizados em rimas, versos e refrão. "The space between what's wrong and right..." cantarolo por aí. Mas baixo, sem que ninguém perceba.

Difícil separar o certo do errado quando se o que mais te enche os olhos é o nem um pouco correto. Sempre há uma justificativa, tudo tem uma explicação. Ou ao menos uma desculpa bem formulada.

Gosto da verdade mas no momento estou fugindo dela. As vezes é bom se deixar enganar pelo que é conveniente. "I don't have to be honest with myself" nem sempre da certo. Loser.

"One drink to remember, and another to forget" e nesse ritmo penso estar “seguindo em frente” ou “deixando rolar”. Mas o que realmente cura é ouvir Bach e tentar escrever. E lá se vão linhas e mais linhas de rabiscos sem sentido.

"Take my eyes, take my heart" talvez não precise mesmo. Chega de problemas.

Confio no poder das palavras, especialmente se tentam expressar sentimentos.
AMOR. A-M-O-R. 4 letras. A palavra apenas ilustra. Não expressa a décima parte do que realmente é sentir. Costumo acreditar. Quase sempre [ou seria quase nunca?] Não importa, o certo é que acredito. E por acreditar calo. Se digo é por vontade. Coragem.

Não quero me explicar, pra que se fazer entender? Ainda prefiro o silêncio. Ouvir, perceber, sentir. Acho melhor.

"Where can you run to escape from yourself?" gostaria de saber.

Me sinto bem. Ter os pés no chão cansa. Seria melhor se chovesse, não? Gosto do som, do vento frio e do meu quarto escuro. Dormir: talvez eu deva tentar um pouco mais. Chega de devaneios por hoje.

Estranha? Sim, muito.

"feeling strangely fine"

11 dezembro, 2006

Relacionamentos?

Domingo à tardinha, tédio total. Resolvemos eu e o doce dar uma volta na Praia Grande pra ver o tempo passar. Caminhando por aquelas ruas desertas iluminadas por luzes amarelas, entre cigarros e risadas chegamos à conclusão de que relacionamentos não são apenas complicados como também extremamente difíceis de lidar.

Na volta pra casa continuei pensando a esse respeito e isso me fez finalmente perceber que as minhas chances de estar numa relação com alguém que goste de mim de fato e realmente queira tentar fazer com que as coisas aconteçam são quase inexistentes.

Tenho no meu histórico um eterno-melhor-amigo-que-seria-perfeito-e-bla, um ex completamente louco que garante sentir minha falta até hoje e muitas semi-relações que somadas não são nem ensaios de algo realmente sólido.

Ou seja, eu não tenho a menor noção do que é estar com alguém. E justamente por isso um tal de namoro é algo completamente utópico, pelo menos por enquanto.

Não estou reclamando por estar sozinha, acho que até gosto disso. Ter liberdade de sair sem ter que dar satisfação a ninguém (alem do meu pai, claro) é perfeito. Mas ao mesmo tempo, não ter com quem dividir despesas com cinema e afins, pra quem falar aquelas coisas bobas que todos criticam mas o fazem, é ruim.

Até porque se pararmos pra pensar, essa historia de ter “ficas” não é nada simples. De repente você encontra alguém com aquele olhar encantador, que fala tudo que você gosta de ouvir, que gosta das mesmas coisas, tem mil amigos em comum e da uma vontade incontrolável de estar com ela pelo resto da vida. Daí vocês ficam, mil coisas acontecem e no outro dia agem como se nada tivesse ocorrido. No máximo você espera ansiosamente por um novo encontro e essa outra pessoa simplesmente caga pra você e vice-versa.

Animais sim, esses tem sorte. Eles simplesmente cruzam para preservar a espécie e não precisam de todo aquele jogo de conquista, discutir relação e nem mesmo ligar no dia seguinte. No caso das fêmeas é tudo mais simples ainda; ela fica lá linda, esperando os machos brigarem para então ter uns momentinhos mais íntimos com ela.

Na realidade não sei porque tudo é tão complicado quando se trata de sexo. Ok, sexo não tem nada de simples, já diria Freud (ele deve ter dito algo desse tipo né? Já que sua obra inteira se baseou na sexualidade humana). Mas já que é tão condicionado à nossa existência, por que não pode ser mais natural um relacionamento cujos fins estão no sexo? Pros meus pais, avós, tataravós foi, mas pra mim até agora anda meio complicado. Logo nos dias de hoje onde quase tudo é permitido, aqui estou eu cheia de travas. Às vezes penso que eu deveria ser bi ao menos né? Heterossexualidade é sinônimo de confusão [?]

Talvez eu simplesmente não tenha encontrado alguém “certo”, ou essa pessoa já esta por aí e eu nem me dei ao trabalho de perceber. Quem sabe eu precise de terapia pra perder mil bloqueios que me impedem de tentar encontrar nos pouco errados que me aparecem algo de especial.

O certo é que se para algumas pessoas estar numa relação a dois é complicado, quando se trata de alguém que não esta preparado para encontrar uma sogra problemática, cunhados sem noção e um namorado que a troca por jogos no PC, se torna praticamente impossível.

Por isso, para encontrar a tampa da panela, o sapato velho, a cara-metade é preciso paciência, dedicação, coragem e uma grande dose de insanidade.

Pelo menos, eu acho.