15 agosto, 2009

Aquele verão em Woodstock

"If you're going to San Francisco
Be sure to wear some flowers in your hair"
(the Mamas and the Papas)

Há exatos 40 anos atrás acontecia, nas proximidades de NY o maior festival de música já visto, Woodstock. Pode-se dizer que seu conceito e importância extrapolam o fato de ter sido um concerto ao ar livre com algumas das personalidades musicais mais influentes da época, e sim por retratar exatamente as bases da sociedade que nascia ali. Época em que jovens movidos pela paixão, seguiam pelo mundo afora em busca de um mundo onde o amor fosse a regra. Drogas, música, cores guiavam a caminhada rumo ao desconhecido, mas acima de qualquer coisa, ali existia um ideal.
Invejo imensamente quem pôde vivenciar essa época que pra mim foi mágica. Os jovens de hoje, ao meu ver, são tão vazios, não possuem um objetivo claro e poucos são os que se preocupam de fato onde é que isso vai nos levar. Antes que meus princípios esquerdistas se aflorem no restante do texto, deixo aqui meu registro do quanto um sonho em comum, solidariedade, paixão e respeito fazem falta nos dias de hoje.
Enfim, é isso! 40 anos de um festival que jamais poderia se repetir.



P.S.: Recomendo a matéria "Houve uma vez um verão: 40 anos de Woodstock", publicada pelo jornalista Marco Lacerda, em 03/08/2009 no Amálgama. Confiram, vale a pena!


26 julho, 2009

E lá vem Agosto nos assombrar outra vez

Com menos de uma semana pra julho terminar e com ele todos os meus prazos e metade do ano de 2009 que não me rendeu lá muito o que comemorar (por enquanto), deixo uma matéria publicada pelo tão presente aqui Caio Fernando Abreu no O Estado de São Paulo, em 06/08/1995. Vejam se não é de fato super apropriada:

Sugestões para atravessar Agosto

Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro - e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.

Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir. Dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons deixam a vontade impossível de morar neles; se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições. Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos, de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzsche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem: qualquer problema, real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos.

Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos - ou precauções - úteis a todos. O mais difícil: evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile a fantasia, categoria originalidade… Esquecê-lo tão completamente quanto possível (santo zap!): FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já.

Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu - sem o menor pudor, invente um.Pode ser Natália Lage, Antônio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún, ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à luz da lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.

Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se ou lamuriar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques - tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informação para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire, a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas - coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo; evasão, escapismos. Assumidos, explícitos.

Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter demais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco:.


No mais, só posso dizer que mal posso esperar pelo segundo semestre decisivo e surpreendente reservado para todos nós.



"Amor não resiste a tudo, não. Amor é jardim. Amor enche de erva daninha. Amizade também, todas as formas de amor."
C.F.

E de repente, nada mais que de repente, acabou.

20 julho, 2009

12 julho, 2009

No fim das contas é bom perceber que não preciso compreender nada, apenas seguir a vida.
E que venham os clichés!

when i feel alive i try to immagine a careless life,
a scenic world where the sunsets are all breathtaking.

04 julho, 2009

Sou eu

II
Não sejas o de hoje.
Não suspire por ontens...
Não queiras o amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabe que serás assim pra sempre.
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.
É a tua eternidade...
É a eternidade.
És tu.

Cecília Meireles - Cânticos

01 julho, 2009

Mudou para melhor [?]

E pensar que talvez se eu ainda guardasse em mim um pouco do que já fui, as coisas seriam quem sabe mais fáceis. Ou não.

16 junho, 2009

Tudo no seu devido lugar

É interessante quando se percebe que apesar dos desgastes e vazios, as coisas estão exatamente como devem estar. Ás vésperas de mais um aniversário, com prioridades definidas e um limitado convívio social, ainda consigo ter comigo a certeza das escolhas bem feitas e mantenho a consciência limpa quando descanso a cabeça no travesseiro à noite. Falando nisso, durmo muito bem ultimamente, após decidir não me perder mais em devaneios, ansiedade extrema e cobranças sem sentido.
De vez em quando sinto a cabeça pesar, o coração acelerado e as mãos frias, como se tentasse me recuperar de um grande susto. Quanto a isso nenhuma novidade, afinal é tudo perfeitamente reconhecível e as coincidências estão aí pra provar que nada de mais grave se esconde por trás desses sintomas.
Me concentro nos prazos, artigos, parágrafos intermináveis e gráficos, dados, diagnósticos. Mantenho meu foco, sigo à risca as regras que eu mesma defini para a minha rotina. Vezenquando canso, então me permito um pouco de preguiça, gorduras trans, boa música e filmes, muitos deles.
Amigos? Estão por aqui de alguma forma, sempre estarão. Porém é importante me perceber um pouco sozinha, pelo meu próprio bem (hoje compreendo isso de verdade). Ninguém se perde nessa vida, e quanto a permanências, acredito que isso fuja da nossa vã vontade.
Espero desse meu novo ano que se inicia nada além do que Caio F. disse certa vez:

[...]Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se não fosse nada.


Que assim seja.
No mais, estou bem sim. Isso deve ser um bom sinal.
[..] Ninguém perguntará coisa alguma, penso. Depois continuo a contar para mim mesmo, como se fosse ao mesmo tempo o velho que conta e a criança que escuta, sentado no colo de mim. Ainda não comecei.Queria tanto saber dizer Era uma vez. Ainda não consigo.
Caio Fernando Abreu - Os dragões não conhecem o paraíso

10 junho, 2009

L'amour, l'amour

"Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:- 'Ah,terminei o namoro...'- 'Nossa,quanto tempo?'- 'Cinco anos...Mas não deu certo...acabou'-É não deu... Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores. Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? E não temos esta coisa completa. Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é malhada, mas não é sensível. Tudo nós não temos. Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga...se não bate...mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta. Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família? O legal é alguém que está com você por você. E vice versa. Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar,seu pensamento. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói. Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias. E nem todo sexo bom é para namorar. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. Nem todo sexo bom é para descartar.Ou se apaixonar. Ou se culpar. Enfim...quem disse que ser adulto é fácil?"
(Arnaldo Jabor)


Foi bom ler isso na semana desse tal 'dia dos namorados'. Só pra reafirmar que relacionamentos são de fato complicados e ainda bem, né. Um dia a gente acerta. Ou não.




08 junho, 2009

sobre o vazio do papel

Poucas coisas na vida são mais desafiadoras que um papel em branco à espera de palavras que o preencha de algum sentido.
Devaneios me perseguem sobre assuntos imensuravelmente diversos: contas a pagar, passeio do cachorro, livros, filmes sofridos, melhor cor de esmalte, enfim. Poderia me perder entre eles, dos teóricos aos mais banais e chulos, recheando linhas e mais linhas de tantas teorias, achismos e pensoquês.
Porém quando me deparo com o papel limpo, as palavras fogem de mim, assim como o raciocínio lógico sobre meus pensamentos.
Mas deixo aqui registrado que apesar do risco (sim, risco) tento de todas as formas não me abater por esse vazio-temporário-sedento-por-significação, encaixando aqui e ali quase certezas, quimeras e sonhos. Tudo bem misturado, numa confusão colorida que ao contrário do que se vê a princípio, possui toda lógica assim esperada. Só basta ter um pouquinho mais de atenção.

07 junho, 2009

perdi o vôo

Desculpem, mas eu não vejo a menor necessidade em me preocupar com um avião que desapareceu nos ares, quando a minha vida é que está em pedaços. Porque eu me permito agora uma dose exagerada de egoísmo e insensibilidade para com as dores alheias - estou cansada de me preocupar com elas, de esperar afeto, dedicação e cuidado.

Sem julgamentos de valor ou tentativas inúteis de mensurar amizade em mim cativada pelos outros. Cada um no seu cada qual, é no que devo focar. Fechar mais um ciclo, é só isso que quero (e espero) conseguir. E será um mérito unicamente meu, claro.

Tentarei dormir agora e sem usar a tv como abajur, porque já me basta de destroços boiando no Atlântico por hoje.

01 junho, 2009

onde andará minha fé?

"Pedi sete vezes em voz alta, não havia ninguém por perto para olhar e talvez rir, um homem não muito jovem, todo molhado, falando sozinho, pedindo não sabia o quê. Força e fé, que tinha perdido, eu pedi"


Onde Andará Dulce Veiga? - Caio F.

28 maio, 2009

Já passou do ponto


Toda a loucura, culpa, mágoa, rancor. Está tudo em excesso, transbordou, ultrapassou todos os limites suportáveis. Até a saudade dos bons tempos e a alegria das fotos estampadas pelo quarto me cansam. Não consigo ver nada além dessa parede sem cor, pálida, em branco. Perdida no tempo e no espaço, sem saber direito onde e quando tudo se perdeu.

Mas chega de suposições, justificativas e remorso. Está feito. É hora de assumir minha condição de humana ao errar. Compreender que o ‘sem volta’ existe, independente da nossa vã vontade. Chorar? Sim, e muito. Mas até esse sentimentalismo todo já beira o ridículo, basta. Chega dessa busca por uma atitude heróica, que traga de volta o valor do que agora já não faz o menor sentido.

25 maio, 2009

I was wasting my time
Looking for love
Someone must look at me
and see there's someone of their dreams
I was wasting my time
Praying for love
For the love that never comes from
Someone who does not exist
[...]
So yes, there are things worse in life than
Never being someone's sweetie
That's how people grow up
[...]
As for me I'm ok
For now anyway

Morrissey me entenderia, fato.

02 maio, 2009


Cultura nerd sempre dominando o espaço por aqui, não? Ultimamente minha vida gira em torno da produção de uma tal "monstrografia", e a identificação com essas tirinhas foi quase que imediata. Quem estiver na faculdade, entre teses, resenhas, fórmulas e projetos certamente vai gostar também.
Se quiser dar uma conferida, aí vai o link: Piled, Higher & Deeper - a grad student comic strip

22 abril, 2009

Mia: Don't you hate that?

Vincent: What?

Mia: Uncomfortable silences. Why do we feel it's necessary to yak about bullshit in order to be comfortable?

Vincent: I don't know. That's a good question.

Mia: That's when you know you've found somebody special. When you can just shut the fuck up for a minute and comfortably enjoy the silence.

Pulp Fiction

15 abril, 2009



infuckingcredible!

29 março, 2009

[...]
Well you didn't wake up this morning, 'cause you didn't go to bed,

you were watching the whites of your eyes turn red.
The calendar on your wall, is ticking the days off,
You've been reading some old letters,
you smile and think how much you've changed,
all the money in the world couldn't buy back those days.

You pull back the curtains and the sun burns into your eyes,
you watch a plane flying, across the clear blue sky.

This is the day, your life will surely change,
This is the day, when things fall into place.


You could've done anything, if you'd wanted,
and all your friends and family think that your lucky.
But the side of you they'll never see,
Is when you're left alone with the memories,
that hold your life, together like glue.
[...]

[The The - This is the day]

Tan tan tan tun tá.

09 março, 2009

Cansei.

Era só isso que eu precisava dizer.

04 março, 2009

Muro de lamentações


Perdi o mp3 player, orientadora sumiu do mapa, uma gripe não sai do meu pé, meu cachorro tem pulgas, a TV pifou, tem sapos lá fora, conta bancária zerada, peguei o ônibus errado, meu PC tem vida própria, nunca tenho bônus no celular, acabou o queijo, esqueceram o meu Nescau, o DVD quebrou, vendi o ingresso, perdi o rebolado, o prazo expirou, meu cabelo me odeia, perdi as chaves, não tenho emprego.

Te vi passar de mochila, óculos e devaneios. Você atravessou a rua apressado, como de costume. Arrumou os cabelos e seguiu em frente sem notar nada ao seu redor.

[...]

Sinto sua falta.