05 junho, 2010

Registro n° 01

Sou apenas mais uma aprendiz da solidão natural a qual todos estamos submetidos, à procura de algo que eu possa chamar de abrigo, cercada de incoerentes por todos os lados.

30 maio, 2010

Cherish

Revirando os arquivos confusos e desconexos dessa minha mente geminiana, reafirmo a importância de todos os silêncios, sorrisos e semi abraços. Sempre são belas as nossas tardes em bancos sombreados daquela praça onde as crianças brincam enlouquecidas debaixo do sol escaldante. Apesar de não saber lidar direito com a necessidade da presença desse outro, que chega ao limite do questionamento e foge por completo do que talvez Freud ou Lacan pudessem explicar, devo dizer que muito me faz bem perceber que consegui algum tipo de conexão, pode-se assim dizer, com o teu universo, que tanto me enriquece. Talvez aqui coubesse perfeitamente um agradecimento clichê, daqueles carregados de promessas e urgências. Mas fico apenas com a demonstração implícita e talvez nem tão sutil de todo o meu estima, carinho e afeto. Obrigada.



Cherish the thought of always
having you here by my side.
Oh, baby, I cherish the joy
you keep bringing it into my life.
I'm always singing it
Cherish the strength,
you got the power to make me feel good.
And, baby, I'll perish the throught of ever leaving
I never would.
Cherish,
Give me faith,
Give me joy,
I will always cherish you

(:


12 maio, 2010

Sobre a viagem cancelada

Não adianta, eu nunca vou entender essa lógica que explique que uma rotina tão atribulada de obrigações, que faça o dia passar sem que nem se perceba, tornando adiáveis todos os compromissos que representem um pouco de abstração desse mundo capitalista-elitista-que-não-tem-tempo-a-perder que te impeça de uma palavra de conforto, dois segundos de atenção, um ‘tudo vai ficar bem’ dito assim nos últimos segundos do pequeno intervalo entre a pressa e o sono, para um amigo com um coração partido. Fique com sua fantástica vida de acontecimentos que há muito não me incluem, desde os dias cinzas de março naquela cidade sem fim. Perca-se nesse mundo que te pertence, iluda-se com todos esses que dizem te adorar por conhecerem apenas as tuas conquistas. Chore. Como no filme, como em todas as vezes que eu estive por perto pra te aconselhar. Satisfaça-se com toda essa superficialidade que te rodeia. Portanto, Querido Amigo de Muito Longe, estou cansada de ser a planta sem graça esquecida no canto do quarto.
Sempre tenho tempo para os meus. Sempre tive tempo pra ti. Tive.

23 abril, 2010

três por quatro




Somos o que há de melhor

Somos o que dá prá fazer
O que não dá pra evitar

E não se pode esconder

18 abril, 2010

Não temos culpa. Tentei. Tentamos.

Anotações sobre um amor urbano - Caio F.

15 abril, 2010

Sobre canções e silêncios.




Gostaria de saber como e o que dizer agora que todas as canções fazem sentido. Não consigo expressar o quanto a sua presença me enriquece o dia, sua risada me preenche de felicidade e segurar em suas mãos me transmite uma segurança única.

Entendendo com uma certa humildade a deficiência em expressar o que realmente se passa nessa minha cabeça insone é que me esforço para que, de alguma forma, eu consiga ao menos registrar a paz que sinto ao te olhar bem de perto e não conseguir controlar meu sorriso cheio de carinho e todas essas abobações apaixonísticas.

Então ficamos assim mesmo, sem textos prolixos cheios de detalhes e explanações; somos nós agora e espero algum dia conseguir te dizer sobre a paz, o afeto, o carinho, a felicidade, o orgulho, a certeza, a afinidade, o compromisso e todas essas muitas coisas que construímos a muito custo para estamos enfim aqui.

Te cuido, te gosto, te valorizo e te guardo.

Thank you for giving us a chance



24 março, 2010

Cansei.

Não me entenda mal, não falo isso com raiva ou qualquer um desses sentimentos destrutivos. Apenas cabe ao momento dizer (sem pudor, arrependimento ou incerteza) que pra mim basta.

Percebi que é unicamente minha a vontade de viver a segurança e paz que existe entre nós. Não te culpo, cobro ou condeno; não sempre. Talvez eu simplesmente não entenda como alguém escolhe o medo, a solidão e o distanciamento.

Não posso esperar que tu sejas inconseqüente e que não tenha pavor de perceber que o fim foi inevitável. Não temo o fracasso, simplesmente vivo. Dou a cara, vomito meus sentimentos, não me deixo sufocar pela vontade, simplesmente.

Há muito o medo me paralisou e me tirou a consciência, hoje não mais. Tenho coragem o suficiente para dizer que muito me agradam os nossos dias, silêncios, risadas, fumaças e meio-abraços. E mais ainda: gostaria de possuí-los – os dias, noites, canções e tudo que nos diz respeito – por inteiro. Sim, gosto por inteiro. Preciso por inteiro. Quero por inteiro. Te ter em pedaços não me satisfaz. Não saber o que dizer, não conseguir segurar a tua mão ou te escrever um bilhete, disso tudo, cansei.

Conviver contigo pela metade é angustiante para nós dois: fico eternamente com a sensação de um erro eminente e para ti talvez sobre o incômodo, a necessidade de buscar em algum canto do abstrato uma atitude capaz de suprir essa minha vontade de ti.

Me sinto desconfortável ao imaginar a nossa relação baseada num tripé entre carência/dependência/medo. Qualquer tipo de aproximação entre seres humanos onde um desses três elementos aparece está fadada ao fracasso, não? É terrível prever um fim trágico para algo que imaginei ser tão bonito. Mas como esperar que duas pessoas estejam ligadas por esses laços estranhos ficarão em paz por toda a eternidade? Difícil.

Não estou mais disposta a arriscar o último punhado de segurança que ainda nos resta, protelando essa espera sem prazo de validade. Teu medo de tentar, que tanto diz como justificativa para essa ‘não decisão’, para mim soa mais como um receio da negação definitiva.

Não tenhas medo de recusar o paraíso, baby. Um não é também libertador, sabia? Preferia uma negação a te ter sem saber – ou não ter, whatever. Esse teu pavor de falar a verdade me incomoda. Tu não precisas tentar viver o que decidi para nós se isso não te completa, mesmo que tudo que consideramos ‘nosso’ seja perfeito.

Eu quero viver a nossa verdade, independente da forma, mas que seja a real. Não me satisfaz a sensação de sentir, viver e esperar sozinha. É desesperador, cruel e machuca.

Tentar ainda é uma opção e sempre será. Só estou exausta da incerteza de esperar que teus medos te/nos deixem buscar a felicidade (juntos).

13 março, 2010

Sobre a embriaguez

Nunca, jamais, diga o que sente. Por mais que doa, por mais que te faça feliz. Quando sentir algo muito forte, peça um drink.

Caio Fernando Abreu

20 fevereiro, 2010

[...]
Não diz nada, você não diz nada. Apenas olha para mim, sorri. Quanto tempo dura? Faz pouco despencou uma estrela e fizemos, ao mesmo tempo e em silêncio, um pedido, dois pedidos. Pedi para saber tocá-lo. Você não me conta seus desejos. Sorri com os olhos, com a mesma boca que mais tarde, um dia, depois daqui, poderá me dizer: não. Há uma espécie de heroísmo então quando estendo o braço, alongo as mãos, abro os dedos e brota. Toco. Perto da minha a boca se entreabre lenta, úmida, cigarro, chiclete, conhaque, vermelha, os dentes se chocam, leve rufdo, as línguas se misturam. Naufrago em tua boca, esqueço, mastigo tua saliva, afundo. Escuridão e umidade, calor rijo do teu corpo contra a minha coxa, calor rijo do meu corpo contra a tua coxa. Amanhã não sei, não sabemos.

Caio Fernando Abreu - Anotações sobre um amor urbano

05 fevereiro, 2010

Always in my thoughts you are
Always in my dreams you are
I got your voice on tape, I got your spirit in a photograph
Always out of reach you are

The more I get to know
The less I find that I understand
Innocent, the time we spent
Forgot to mention we're good friends.
I thought it was the start of something beautiful.
[...]

25 janeiro, 2010

Leminski, Deus e desencanto.

Ele não salva. E tenho dito.

12 janeiro, 2010

"How I Dearly Wish I Was Not Here"
In the seaside town
...that they forgot to bomb
Come! Come! Come - nuclear bomb!

Porque Morrissey sempre diz as coisas certas.

07 janeiro, 2010

[Des]entendimentos



Estás aqui. Ocupas todos os espaços, tangíveis ou não. Há sempre um momento e um significado por trás de cada objeto nesse universo antes tão meu.
Mais cores ao lado do amarelo-vermelho constante. Rabiscos, rascunhos e bilhetes. Tons e mais tons de afeto misturados com a incerteza dos traços. Insegurança que salta dos meio-abraços, do que foi calado e um constante medo pelo que já foi dito. Nada nos atinge.
Há quem acredite no destino, eu sei. Talvez ele explique o sentido das fugas (in)conscientes pelos corredores, ou mesmo o sufocante desespero de uma possível perda – ainda que somente idealizada.
Difícil pensar num depois, bem como no agora. É tudo inexplicavelmente fascinante, belo e natural e nos escapa qualquer tipo de afirmação. Não há conceitos, apenas idealizações. Medo, necessidade, vício, posse – por que não?
E de repente existem apenas os nossos dias, regados a estradas, fumaça e sabores. E as músicas que circulam testemunhas do que há de vir, silenciam o que não deve ser dito como numa conspiração cósmica para a nossa não-compreensão.
Porém, muito além do que não é claro, do incompreendido e não-explicado, há o que insiste em dizer sem o menor pudor: gosto de você. Claro, simples, direto e cru. Gosto.

15 dezembro, 2009

Clichês sem cor

Pensava muita coisa sozinha em casa a noite, especialmente ao olhar pela janela todos aqueles carros, luzes e encontros. Depois de um dia inteiro de pressa, telefonemas e caminhos, a vista da vida noturna a distraía e confortava, como se mostrasse a existência de algo além do tédio e silêncio do apartamento apertado – interrompido ora pelas buzinas de fora, ora pela TV esquecida no canto da sala.
Gosta de estar na companhia do seu gato, o Felix. Nome bobo e clichê, como tudo ao seu redor: Poulaim, Kubrick e Almodóvar na estante da sala, vistos e revistos freqüentemente. King, Lispector e Hilst sempre à mão, perto do sofá, na mesinha onde descansavam os pés durante a leitura.
Tons pastéis nas paredes, numa palidez sufocante quebrada por copias de Picasso penduradas no pequeno corredor que avistava do sofá, por onde passava exausta da vida lá fora, a caminho da cama – enorme, fria e desarrumada, onde recarregava suas energias para mais um dia de escravidão, como costuma dizer.
No quarto não havia nada que lembrasse os sorrisos, abraços e noites em claro de outrora. Tampouco haviam rastros dos cinzeiros dele no chão da sala, da escova de dentes azul perdida na pia do banheiro e dos litros d’água vazios deixados na geladeira. Nem mesmo as fotos com provas de amor, declarações escritas com batom no espelho da penteadeira e recados com frases como ‘eu te amo’ escondidas propositalmente entre as roupas nos armários e presentinhos bobos na gaveta do criado mudo do lado direito da cama, onde ficam o despertador e o abajur.
Tudo fora destruído, queimado, rasgado, na tentativa frustrada de recomeço. Porém os rastros sobreviventes são os que ferem mais. A lembrança do cheiro daquele perfume de farmácia que contaminava todo o ambiente pálido e sem vida daquele pequeno apartamento, no centro da cidade. O canto desafinado que soava do banheiro, com músicas bregas cantadas como numa serenata nada proposital. O som da respiração dele, tão próxima e tão sua, durante o silêncio daquelas longas madrugadas.
Existia vida naquele pequeno espaço de concreto, dividido por paredes pálidas decoradas por cópias coloridas de Picasso. Os clichês sempre presentes eram belos, cheios de fragrâncias, sons e preenchiam o ambiente. Agora é tudo vazio, a vida lá fora a distrai, na esperança de um telefonema, quem sabe – sem admitir, claro.

30 setembro, 2009


Viver é sempre uma ótima opção.

15 agosto, 2009

Aquele verão em Woodstock

"If you're going to San Francisco
Be sure to wear some flowers in your hair"
(the Mamas and the Papas)

Há exatos 40 anos atrás acontecia, nas proximidades de NY o maior festival de música já visto, Woodstock. Pode-se dizer que seu conceito e importância extrapolam o fato de ter sido um concerto ao ar livre com algumas das personalidades musicais mais influentes da época, e sim por retratar exatamente as bases da sociedade que nascia ali. Época em que jovens movidos pela paixão, seguiam pelo mundo afora em busca de um mundo onde o amor fosse a regra. Drogas, música, cores guiavam a caminhada rumo ao desconhecido, mas acima de qualquer coisa, ali existia um ideal.
Invejo imensamente quem pôde vivenciar essa época que pra mim foi mágica. Os jovens de hoje, ao meu ver, são tão vazios, não possuem um objetivo claro e poucos são os que se preocupam de fato onde é que isso vai nos levar. Antes que meus princípios esquerdistas se aflorem no restante do texto, deixo aqui meu registro do quanto um sonho em comum, solidariedade, paixão e respeito fazem falta nos dias de hoje.
Enfim, é isso! 40 anos de um festival que jamais poderia se repetir.



P.S.: Recomendo a matéria "Houve uma vez um verão: 40 anos de Woodstock", publicada pelo jornalista Marco Lacerda, em 03/08/2009 no Amálgama. Confiram, vale a pena!


26 julho, 2009

E lá vem Agosto nos assombrar outra vez

Com menos de uma semana pra julho terminar e com ele todos os meus prazos e metade do ano de 2009 que não me rendeu lá muito o que comemorar (por enquanto), deixo uma matéria publicada pelo tão presente aqui Caio Fernando Abreu no O Estado de São Paulo, em 06/08/1995. Vejam se não é de fato super apropriada:

Sugestões para atravessar Agosto

Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro - e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.

Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir. Dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons deixam a vontade impossível de morar neles; se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições. Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos, de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzsche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem: qualquer problema, real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos.

Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos - ou precauções - úteis a todos. O mais difícil: evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile a fantasia, categoria originalidade… Esquecê-lo tão completamente quanto possível (santo zap!): FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já.

Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu - sem o menor pudor, invente um.Pode ser Natália Lage, Antônio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún, ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à luz da lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.

Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se ou lamuriar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques - tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informação para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire, a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas - coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo; evasão, escapismos. Assumidos, explícitos.

Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter demais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco:.


No mais, só posso dizer que mal posso esperar pelo segundo semestre decisivo e surpreendente reservado para todos nós.



"Amor não resiste a tudo, não. Amor é jardim. Amor enche de erva daninha. Amizade também, todas as formas de amor."
C.F.

E de repente, nada mais que de repente, acabou.

20 julho, 2009

12 julho, 2009

No fim das contas é bom perceber que não preciso compreender nada, apenas seguir a vida.
E que venham os clichés!

when i feel alive i try to immagine a careless life,
a scenic world where the sunsets are all breathtaking.