12 maio, 2010

Sobre a viagem cancelada

Não adianta, eu nunca vou entender essa lógica que explique que uma rotina tão atribulada de obrigações, que faça o dia passar sem que nem se perceba, tornando adiáveis todos os compromissos que representem um pouco de abstração desse mundo capitalista-elitista-que-não-tem-tempo-a-perder que te impeça de uma palavra de conforto, dois segundos de atenção, um ‘tudo vai ficar bem’ dito assim nos últimos segundos do pequeno intervalo entre a pressa e o sono, para um amigo com um coração partido. Fique com sua fantástica vida de acontecimentos que há muito não me incluem, desde os dias cinzas de março naquela cidade sem fim. Perca-se nesse mundo que te pertence, iluda-se com todos esses que dizem te adorar por conhecerem apenas as tuas conquistas. Chore. Como no filme, como em todas as vezes que eu estive por perto pra te aconselhar. Satisfaça-se com toda essa superficialidade que te rodeia. Portanto, Querido Amigo de Muito Longe, estou cansada de ser a planta sem graça esquecida no canto do quarto.
Sempre tenho tempo para os meus. Sempre tive tempo pra ti. Tive.

Um comentário:

Magdalene le Boursier disse...

Nossa, eu queria dizer exatamente essas mesmas palavras para uma pessoa. Pena que não mais, por dois motivos: primeiro, pq vc já disse; segundo, pq eu já não me importo mais...

Sei exatamente como vc se sente... =(
Beijos!