01 Setembro, 2011

Sobre Nina e saudade

Na madrugada, enquanto Nina Simone grita incansavelmente versos que falam de lágrimas e rompimentos, é inevitável se perder no vazio que ficou. Porque muito além da tragédia anunciada de sua partida, o que lateja é a ausência de todos os detalhes que te traziam até mim. Sinto falta de teus silêncios que diziam o que eu não me atrevia a questionar, do cheiro da sua camisa e dos beijos singelos que te dava no ombro. Sinto falta do teu olhar que sutilmente se alegrava com a minha presença, da sua risada marcante, de te beijar a sobrancelha. Sinto falta da sua fala rebuscada sobre assuntos banais, da paz do teu sono e da sua formalidade. Sinto falta inclusive de sua ausência, da espera e de como me sentia quando retornavas.
Sinto muita falta de ti.

"I've hidden my heart too many times before
Now my aching heart knows that we're apart
And I can't hide it anymore"

Nina Simone - Break Down And Let It Out



31 Março, 2011

Cotidiano

- Tomei um capuccino maravilhoso hoje!

- Queria que coisas maravilhosas tivessem me acontecido, mesmo que de chocolate.

[...]

27 Outubro, 2010

Registro n° 03

Pode ir, se quiser. Mas leva contigo toda a tua urgência e desespero que por escolha sua eu já não posso curar.
Minha sanidade agradece.

10 Julho, 2010

Suave é viver só.

Ainda musicalmente regida e sem inspiração para um texto unicamente meu, nessa tarde entediante de sábado entre um cochilo e um cigarro, existe Bethânia cantarolando coisas belas aqui e ali. Vejam que lindo Maria Bethânia e António Alçada Batista:



Maria Bethânia
Composição: Sueli Costa sobre poema de Ricardo Reis

Segue o teu destino
Rega as tuas plantas
Ama as tuas rosas
O resto é a sombra
De árvores alheias

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios.

Suave é viver só
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses

Vê de longe a vida
Nunca a interrogues
A resposta está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração
Os deuses são deuses
Porque não se pensam

28 Junho, 2010

Revendo algumas postagens antigas, encontrei uma composição de Oswaldo Montenegro que postei há alguns anos e que chegou a assustar o quanto encaixou-se perfeitamente ao meu “hoje”. Belíssimas palavras que falam por mim, dessa minha existência dúbia, carregada de sentimentos precisos e múltiplas certezas. No fim, o amor é o que rege e o que fica. Espero que gostem.


"Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Pois metade de mim é o que eu grito, a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe seja linda ainda que triste.
Que a mulher que amo seja pra sempre amada, mesmo que distante.
Pois metade de mim é partida, a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece, nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos.
Pois metade de mim é o que ouço, a outra metade é o que calo.
Que a minha vontade de ir embora se transforme na calma e paz que mereço.
Que a tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que penso, a outra metade um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste e o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso que me lembro ter dado na infância.
Pois metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar o espírito e queo seu silêncio me fale cada vez mais.
Pois metade de mim é abrigo a outra metade é cansaço.
Que a arte me aponte uma resposta mesmo que ela mesma não saiba e que ninguém a tente complicar. Pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer.
Pois metade de mim é platéia a outra metade é canção.
Que a minha loucura seja perdoada.
Pois metade de mim é amor.
E a outra metade também".

Oswaldo Montenegro - Metade.

19 Junho, 2010

Registro nº 2




"e de repente olhaste uma flor sobre uma sepultura e disseste que gostavas tanto de amarelo e eu disse que amarelo era tão vida e sorriste compreendendo e eu sorri conseguindo e vimos uma margarida e nem sequer era primavera e disseste que margarida era amarelo e branco e eu disse que branco era paz e disseste que amarelo era desespero e dissemos quase juntos que margarida era então desespero cercado de paz por todos os lados."

Caio F. - O dia de ontem.


Gosto de margaridas amarelas, dessas cheias de vida, ternura e surpresa.

05 Junho, 2010

Registro n° 01

Sou apenas mais uma aprendiz da solidão natural a qual todos estamos submetidos, à procura de algo que eu possa chamar de abrigo, cercada de incoerentes por todos os lados.